Neste espaço, compartilharemos os comentários, impressões e críticas em torno da obra.

O escritor Xunior Matraga comenta a obra:

“Um livro que já começa poético na capa, no título, e que traz dentro de si uma sensibilidade absurda.

O que mais me chama a atenção na literatura de Éder Rodrigues é a densidade, é a profundidade, é a essência da poesia.

Parece que o escritor busca essa poesia num lugar quase intocável dentro dele e, claro, sempre com um rflexo no entorno, no mundo, nas experiências.

Um livro impecável. Sem defeitos.”

Xunior Matraga é escritor e reside em Minas Gerais. Autor de Quando rompe a epiderme do casulo, publicado pela Editora Illuminare.

A leitora Ananda Torquato comenta a obra:

” Logo de cara, o título me fez refletir sobre o significado da palavra museu. E fiquei com aquilo na cabeça, na boca e no peito.

Museu pra cá, museu pra lá, museu em todo o lugar, em tudo quanto é canto. Museu em tudo que é. Certamente, este livro não seria um museu comum.

Então, fui dar uma olhada no sumário para tentar ter um pingo maior de noção do que seria aquilo, do tamanho da empreitada…ou melhor, do tombo que eu tomaria, ao me aventurar por aquelas páginas. E bom, aquilo nada me ajudou em na compreensão. Porém, deixou-me curiosa, muitíssimo curiosa para conhecer aquele museu. Pois eu percebi, logo naquela entrada tímida, que nenhum conhecimento prévio poderia me advertir do gosto de se aventurar naquele museu totalmente desconhecido por mim.

Então, eu entrei. E fui lendo.

No primeiro ponto de visita, no INVENTÁRIO DE CHEGANÇAS E NASCENÇA, conheci O Poema. E me emocionei. Tinha sonoridade de latidos e lembranças de inocência. Pra cravar aqui um pouco da experiência, ouso compartilhar um trecho:

…coisas de quem sabe que, às vezes
curar dói mais do que deixar doer…

Já no ACERVO DE QUINTAIS, ESQUECIMENTOS E OUTROS DETALHES QUE EMPOÇAM DENTRO DO OLHO, descobri coisas em “Ossatura”. Por exemplo, que o:

…valor de um diamante não se mede apenas
pelo incontestável do brilho e seus quilates…

E fiquei rememorando objetos e coisas efêmeras, que passaram pela minha mão em um deslize mas, que ainda sim, guardam o seu brilho, sem valor possível de medida, em mim.

Saltando lá pelas redondezas do DELICÁRIO [COLEÇÃO DE DELICADEZAS, TRISTESSES E PROFUNDÂNCIAS], conheci “Tons de Rosa”. Este, compartilhei com uma amiga, para que ela também provasse um pouco dessa dimensão poética presente na literatura de Éder Rodrigues.

…profundeza maior só vi nos olhos
que navalham desejos de um lado
e a solidão do outro….

Em ARQUEOLOGIA DOS DESEJOS E PERDIÇÕES, algo que nunca imaginei aconteceu: Apaixonei-me pelo “Rosa do papel de pão”. Neste, eu descobri que:

…Também é verdade
que depois dos lábios adormecidos de café
escorríamos calados no rosa
que sobrava na mesa
e testemunhava segredos e fugas…

De resto, sobre o que te espera em CATÁLOGOS DE SOPROS, DISRITMIAS E OUTRAS PULSAÇÕES QUE FAZEM O CORAÇÃO BATER FORA DO PEITO e em MANUSCRITOS DA NOTÓRIA TURVAÇÃO ENTRE UM ABISMO E OUTRO, eu deixo que você mesmo/a descubra e me conte depois, quem sabe sentados em um café, a tomar chá rosa e olhar o céu azul.

Ananda Stephany Rocha Torquato é acadêmica no curso de Licenciatura Interdisciplinar em Linguagens e suas Tecnologias da Universidade Federal do Sul da Bahia.
  • A escritora Simone Pedersen comenta a obra:

“ Éder Rodrigues é sem dúvida um dos melhores poetas que já conheci.

Este livro não é para ser devorado, ainda que a vontade seja essa.

É preciso respeito quando se tem a oportunidade de adentrar um museu de coisas efêmeras.

Só o título já se faz pausa necessária, sob o risco de não se viver uma obra que nos consome e transforma, alimenta e provoca fome.

Somente um editor sensível como André Kondo poderia preparar essa mesa, com vinhos embalados por cristais e tâmaras servidas em porcelanas de papel.

Obrigada pela ansiedade na espera e pela sensação de que valeu a pena esperar.

Agora, é preciso esticar o tempo para preservar o prazer dessa leitura, pouco a pouco, abocanhando a poesia que foi servida.”

Simone Pedersen é escritora com mais de 43 títulos públicados. Escreve para jornais, revistas e sites culturais. Minsitra oficinas literárias e é contadora de histórias. Sua obra premiada obteve o selo FNLIJ e também faz parte do Catálogo da Biblioteca Nacional e do Catálogo de Bologna.

  • A escritora Regina Damazio, de Bragança Paulista/SP, comenta a obra:

Eu estou encantada com os poemas.

Poemas que pulsam e em seu pulsar fazem com que as coisas efêmeras se tornem eternas.

Peço licença para deixar um aperitivo:

“Um dia ainda me dobro e embrulho.

Esqueço em branco o remetente

E não preencho o campo do destinatário.

Só deixo escrito meu último desejo:

Alguém para dar o laço,

Desfazer o “eu” em nós

E não esquecer da fita adesiva

Com o aviso de Cuidado Frágil.”

Regina Damazio é escritora e membra da União Brasileira de Trovadores.
  • A escritora Lúcia Zmekhol comenta a obra:

“Eu amo ler. Amo. Leio muito e muitos ao mesmo tempo. Amo poesia. Amo. Leio sempre e desde muito, muito jovem. Meu pai era poeta e eu costumava ser sua primeira leitora. Quantos “amei!” e quantos “ah, pai, forçou, hein?” foram ditos por mim para ele.

Às vezes, ele reescrevia partes do poema e me mostrava de novo (para minha presunçosa aprovação). Outras, ele dizia, “você não entende nada de poesia”. E assim seguíamos, parceiros. Ele na escrita, eu na leitura.

Através dele, já quando não estava mais entre nós, como uma feliz herança, conheci Henriette Effenberger, escritora que sigo e com quem, às vezes, converso rapidamente. Dela, li o livro de contos Fissuras. Recomendo. Muito. Através dela, tenho aqui, no meu colo, como o desdobramento da herança do meu pai, o livro de poemas O Infindável Museu das Coisas Efêmeras, de Éder Rodrigues.

Um museu. Suas salas. Acabo de sair de uma delas. Ala: Acervo de Quintais, Esquecimentos e Outros Detalhes que Empoçam Dentro do Olho.  

Pauso.

Quero respirar aquele ar por um pouquinho mais de tempo.

Quero prolongar minha visita a este museu.

E quero, aqui, recomendar esta leitura a todos.

Cada poema e toda sua poesia.

Cada sala e toda sua efemeridade.

Estou encantada com o livro/museu. Os poemas são de uma singeleza e de uma profundidade encantadoras. Recomendo esta leitura a todos/as.”

Lúcia Zmekhol é escritora, pedagoga e professora de inglês
  • O jornalista e poeta Amauri de Souza, de Americana/SP, comenta a obra:

“ (…) Nas primeiras 44 páginas em que meus olhos puderam descansar da fadiga do mundo, eu tive o privilégio de apreciar o quão belo são os seus poemas. É para poucos que o Universo reserva sua magia criativa, seu perfume inebriante de infinito e seu poder imaculado de transcendência.

Éder Rodrigues é um desses raros talentos que consegue ser cúmplice do Universo, ao recriar no tempo de agora as inúmeras possibilidades que o ser humano possui para atingir sua essência, sem o pudor da nudez diante do indestrutível espelho da realidade.

O seu valioso Museu tem me levado ao encontro de obras cuja beleza é intraduzível aos olhos, porque só pode ser compreendida por aqueles que se dedicam ao ofício de descortinar a alma, sem fazer alarde aos que ainda dormem. Muito embora esse inaudível grito seja mesmo para despertar o nosso verdadeiro “Eu”, sem compromisso algum com o tempo ou com a paisagem árida dos acontecimentos, apenas verdadeira essência, que flui tal qual a efemeridade das nossas vagas lembranças e a fugaz sensação do que acreditamos ser.”

Amauri de Souza é jornalista e escritor. Mantem efetiva participação no circuito literário contemporâneo.

  • A escritora Goretti de Freitas, de Ipatinga/MG, comenta a obra:

Ao entrar no Infindável Museu das Coisas Efêmeras, momento de encantamento.

Logo no início, mesmo nos espaços em preto e branco, ele me apresentou múltiplas colorações, linhas, imagens e palavras repletas de sentidos, sonhos, desejos e tantas possibilidades que, mesmo se eu tentasse, o meu olhar não conseguiria desviar, um instante sequer, do poder imagético e sonoro dos poemas.

Continuando o percurso no interior do museu, vi que muita coisa ali tinha a ver com minha vivência. Os sentidos e significados foram ficando cada vez mais robustos, mais intensos, mexendo comigo de uma forma inexplicável.

Continuei a visita pelos espaços ainda desconhecidos. De repente, tive a audácia de pensar que eram meus. Tomei posse. Veio a mim a ideia de pertencimento. Essa ideia levou-me a desenhar mapas afetivos, antes de pedir permissão ao autor. Só mesmo um grande autor da categoria de Éder Rodrigues poderia fazer o leitor pensar na transcendência que vai muito além das fronteiras e dos quintais de infância de cada um.

Eu não consigo sair de dentro do museu. Aliás, já saí várias vezes. O que eu não consigo realmente é parar de revisitá-lo. As idas e vindas estão sendo feitas com tanta frequência que eu não sei mais o que fazer.

Pronto! Decidi! Morarei nele para sempre, mesmo sabendo que ainda vou me deparar com situações de choros incontroláveis cada vez que correr os olhos em determinados trechos e descobrir uma nova voz desse poeta incrível. (…) Este livro mexeu demais comigo. É o melhor livro de poemas que já li. O que mais me tocou.”

Goretti de Freitas, é escritora, de Ipatinga/MG, com inúmeros livros publicados. Ex-presidente do Clube de Escritores de Ipatinga [CLESI], Membra efetiva da Academia de Letras, Artes e Ciências do Brasil, de Mariana/MG e da Sociedade Brasileira dos Poetas Aldravianistas.